​Encontrar a Cristo

09/11/2016 Escrito por felipe

Jesus se deixa encontrar em diversos momentos de nossas vidas, para não dizer a todo momento. Em determinados momentos esta disposição em se deixar encontrar de Cristo é mais clara, tais como: momentos pessoais de oração, grupos de oração, orações em família, na meditação da palavra, retiros espirituais e, sobretudo no Santíssimo Sacramento, seja na Santa Missa, seja no sacrário ou exposto no ostensório.

E quantos de nós passamos a vida toda tentando e não conseguindo viver este encontro que nos transforma a vida, transforma nossa visão de mundo, de felicidade, de amor próprio e de amor ao próximo? Tudo pode ser transformado através da experiência do encontro com Jesus Cristo! Podemos encontrar um novo sentido para a vida, talvez um sentido para dar a vida por alguém, ou, menos drástico, dar nosso tempo a alguém ou a uma causa. Alguns de nós vivem anos participando destes momentos propícios para a experiência com Deus e não conseguem enxergar mudanças em suas vidas, não conseguem ter a certeza de que Deus existe, de que ele ouve as suas preces.

Acontece que, muitas vezes, nos apresentamos a Deus de modo interesseiro, cheios de desejos, de vontades, de quereres e de sonhos esperando que Deus simplesmente os realize de preferência no nosso tempo, queremos ser os senhores de nossas vidas contando com uma ajudinha de Deus, quando na verdade Deus só espera que queiramos vê-lo, que queiramos conhecê-lo, que nos deixemos conduzir por sua vontade e sabedoria. Como nos diz Jesus, “buscai em primeiro lugar o reino de Deus”(Mt 6,33), todo o resto virá por acréscimo, busquemos em primeiro lugar os sonhos e a vontade de Deus e Ele nos olhará com todos os nossos sonhos, vontades e desejos, aqueles que estiverem de acordo com o plano que Ele tem para nós Deus os realizará no momento oportuno, os que não estiverem em linha com sua vontade Ele, simplesmente, transformará.

Os evangelhos nos mostram dois encontros com Jesus que acabam de maneira totalmente diferentes. Em um, o jovem rico se apresenta a Jesus cheio de virtudes e conhecimento da verdade e questiona Jesus sobre o que ele deve fazer  para alcançar a salvação, como se esta  estivesse escondida em seus méritos e atitudes, a resposta de Jesus é decepcionante para ele, e o jovem vai embora muito triste. Jesus lhe pede que abra mão de sua riqueza, de seus conhecimentos e méritos e apenas o deixe conduzir sua vida, mas o jovem chegou ao encontro com Jesus com a sua ideia de salvação, ele queria ser o senhor da própria salvação, Jesus teria apenas o papel de auxiliador, apenas seria aquele que deu uma força no processo (Mt 19,16-23). Esta, claramente, não é a dinâmica de Deus.

No segundo encontro vemos Zaqueu, que também era rico, porém cheio de pecados, este não teve fácil acesso a Jesus, na verdade para ele bastava ver Jesus em meio a multidão, não queria nada além disso, por isso subiu em uma árvore para compensar sua baixa estatura e esperou Jesus que passaria, mas Deus se agradou do desejo deste pequeno pecador e também olhou para ele, quis entrar em sua vida. Zaqueu recebeu Jesus com alegria em sua casa e Jesus mudou sua vida. Zaqueu não questionou, não pediu nada, apenas o recebeu com alegria e Jesus transformou sua vida, seu modo de pensar, sua forma de ver ao próximo, Jesus não precisou pedir nada a Zaqueu, mas a partir do encontro os pensamentos e sonhos  de Zaqueu já não eram os de antigamente e sim os de Jesus, quis logo compartilhar sua riqueza com os pobres e restituir aqueles a quem tinha fraudado. A salvação entrou na casa de Zaqueu através de um encontro desinteressado com Cristo (Lc 19,1-10).

Como temos vivido as oportunidades que temos para estar com Jesus? Como Zaqueu desinteressadamente, querendo apenas contempla-lo, olhar e se deixar olhar por Deus, ou temos sido como o jovem rico, querendo que Cristo nos trague a mensagem que queremos ouvir? A presença de Deus nos basta ou esperamos que ele realize os nossos sonhos e desejos mais do que queremos viver a vontade dele? Nossa oração tem sido como a do jovem rico e do fariseu no templo (Lc18,11-12), que querem mostrar a Deus o quanto são virtuosos, ou como a de Zaqueu ou do outro cobrador de impostos no templo (Lc 18, 13), que, humildemente, reconhecem que são pequenos diante de Deus e somente a graça e misericórdia de Deus lhes bastam?

Deus nos convida a todo instante a vivermos na alegria de sua presença, peçamos a Ele tudo o que queremos e sonhamos, pois o próprio Cristo nos ensinou isso (Lc 11,9-10), mas antes, entremos em sua presença, e peçamos sempre que seja feita a vontade Dele antes da nossa, que Ele seja o senhor da nossa vida, de nossos sonhos e nosso querer.

Referencias: Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria;

Vida de oração

07/09/2015 Escrito por leandro

Vida de oração quer dizer relacionamento com Deus em nosso dia a dia. Como podemos nos relacionar com maior profundidade com Jesus e sermos verdadeiramente seus amigos, como refletimos no PostOs seguidores de Jesus”? O caminho é a oração, o seguimento do Evangelho, tendo Jesus em nossa consciência, em nosso agir e não somente buscando emoções superficiais. Precisamos ter uma fé madura.

Não podemos mais nos contentar com uma oração superficial e “corrida”, feita sem compromisso, ou seja, hoje faço, amanhã não faço, passo uma semana sem rezar e por aí a fora. Precisamos aprofundar essa relação e para isso temos algumas sugestões:

  • Ser fiel na oração – se sou fiel no pouco, Ele me confiará mais (Mt 25,21). O segredo da progressão na vida de oração está na fidelidade e não na quantidade de tempo que você passa rezando. Dez minutos diários, sempre no mesmo horário, sem falta, farão você crescer espiritualmente e conhecer muito mais Jesus do que passar um fim de semana inteiro em oração num retiro e depois só voltar a orar com profundidade de vez em quando;
  • Ser sincero – ser sincero como se é com um amigo, em alguns momentos mais sinceros do que com um amigo. O Senhor já conhece o nosso coração, então não adianta querer enganá-lo, esconder o jogo. Se em nossa cabeça estão passando pensamentos de pecado, digamos isso a Ele, entreguemos e peçamos forças para vencer a tentação. Se estámos com raiva, cansaço, alegria, seja lá o que for, sempre sejamos sinceros com Deus. Mas lembremos também de honrá-lo e glorifica-lo sempre, pois Ele é o Senhor, Ele é Deus Onipotente, o Rei da Glória;
  • Ser humilde – não queiramos nos aproximar do Senhor por curiosidade, só para estudá-lo ou dizer que o conhece. Aproximemos de Jesus com a humildade de quem reconhece a sua pequenez e necessidade de amor. O Senhor nos ama infinitamente e quer curar nosso coração e fazer de nós grande homem e uma grande mulher. Pessoas cheias da graça de Deus, sensatas, justas e que são luz no mundo. Mas, para isso, é necessário tirar as sandálias dos pés, como fez Moisés (Ex 3,5);
  • Recolha-se no seu quarto – ore com suas palavras e simplicidade, em um ambiente de silêncio e intimidade, onde só você e Jesus podem estar; mais ninguém. Não fique comentando sobre suas experiências diárias com Deus, a menos que seja para edificação da comunidade, senão é vaidade, orgulho;
  • Não seja idólatra – coloque Jesus no lugar Dele em sua vida, isto é, no centro de todas as coisas. Se sua família é mais importante, então você é idólatra, se seus filhos são mais importantes, então você é idólatra, se seu trabalho e o dinheiro são mais importantes, então você é idólatra. E digo mais: se o grupo, movimento ou pastoral a qual você pertence na Igreja é mais importante que o Senhor, então você é idólatra. Se os dons espirituais são mais importantes para você, então você é idólatra. Se as redes sociais e as aparências que se gosta de passar para os outros através delas são mais importantes que o teu Deus, então você é idólatra (Lc 9, 57-62);

Existem alguns obstáculos comuns que impedem nosso relacionamento com Deus através da oração, tais como:

  • Nossos pecados – “Não, não é a mão do Senhor que é incapaz de salvar, nem seu ouvido demasiado surdo para ouvir, são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face se oculta para não vos ouvir” (Is 59, 1-2);
  • Principalmente os capitais, em destaque: preguiça e vaidade;
  • As vãs preocupações – “Jesus voltou-se então para seus discípulos: Portanto vos digo: não andeis preocupados com a vossa vida, pelo que haveis de comer; nem com o vosso corpo, pelo que haveis de vestir. A vida vale mais do que o sustento e o corpo mais do que as vestes. Considerai os corvos: eles não semeiam, nem ceifam, nem têm despensa, nem celeiro; entretanto, Deus os sustenta. Quanto mais valeis vós do que eles? Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Se vós, pois, não podeis fazer nem as mínimas coisas, por que estais preocupados com as outras? Considerai os lírios, como crescem; não fiam, nem tecem. Contudo, digo-vos: nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles. Se Deus, portanto, veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã se lança ao fogo, quanto mais a vós, homens de fé pequenina! Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso. Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino. Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói. Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Luc 12, 22-34).

 

Os seguidores de Jesus

07/09/2015 Escrito por leandro

Neste Post queremos falar a respeito dos seguidores de Jesus, que citamos na reflexão do “Bom Pastor”, deixar mais claro o que o Senhor Jesus quer de cada um de nós, vamos dividir os seguidores de Jesus em 5 grupos:

1º – A multidão – Jesus quando caminhava por aqui curando doentes, realizando milagres, anunciando a Boa Nova, Ele arrastava multidões. A multidão o seguia em busca de curas e milagres e depois que recebiam o que queriam, iam embora (Mt 4, 23-25). Jesus mesmo não confiava nesse povo (Jo 2, 23-25). A multidão é formada por pessoas interesseiras, sem compromisso ou mesmo curiosas;

2º – Os 70 discípulos – serviam a Jesus anunciando a Boa Nova e curavam doentes e expulsavam demônios em nome de Jesus. Porém, esse grupo se contentava apenas por fazer isso, quer dizer, valorizavam mais os meios que os fins. Buscavam e se alegravam com os dons espirituais dados a eles por Jesus (Luc 10, 17-20). Esse grupo corre grande risco de ouvir do Senhor: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!” (Mt 7, 22-23).

3º – Os 12 apóstolos – este grupo sim era o grupo dos amigos de Jesus. Era com eles que o Senhor queria estar e eles davam grande importância em estar com Jesus. Esses foram os que largaram tudo e seguiram o Senhor (Mt 4, 18-22). Queriam estar perto de Jesus o tempo todo, apesar de suas fraquezas e limitações.

4º – Os 3 discípulos mais próximos de Jesus – Pedro, Tiago e João. A eles foi revelado mistérios que não foi aos outros, à eles couberam experiências junto a Jesus que não foram concedida aos outros, como por exemplo o milagre da transfiguração no monte Tabor, onde eles presenciaram Jesus, Moisés e Elias. A eles, porém, também foi oferecido experimentar o suplício, a dor e a angústia, mas eles também falharam (Mt 26, 36-46).

5º – O discípulo amado de Jesus: João – era aquele que tinha o relacionamento mais estreito com Jesus e que era chamado o discípulo a quem Jesus amava. E foi a ele que Jesus, na cruz, confiou sua mãe, Santa Maria, sinal do quanto Jesus confiava nele e o tinha como grande amigo.

Bem, em qual grupo nós estamos inseridos? Reflitamos sobre isso. É certo que podemos e devemos estar no 4º ou 5º grupo, para isso precisamos ter um relacionamento profundo com o Senhor, escutando sua voz e a reconhecendo e obedecendo como o Bom Pastor e suas ovelhas

 

O Bom Pastor – a ovelha reconhece a sua voz

29/08/2015 Escrito por leandro

Neste Post meditaremos a famosa parábola do Bom Pastor: “Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10, 1-5; 11; 14-15).

Jesus é o Bom Pastor e nós somos as suas ovelhas. Ele dá a vida por nós, Ele se expõe a perigos por nós. O Bom Pastor conhece cada uma de suas ovelhas pelo nome e se dirige individualmente a cada uma delas. As ovelhas escutam a sua voz e a reconhecem como sendo de seu Pastor, que cuidará delas. Podem haver vários pastores e ovelhas de diversas propriedades diferentes reunidas, mas quando o seu Pastor chama cada uma de suas ovelhas, elas o reconhecem e não seguem outro pastor ou estranho qualquer.

Temos escutado a voz de Jesus em nosso coração e em nossa mente no dia a dia? Temos reconhecido a voz do Senhor, o chamado que Ele nos dirige ou acabamos nos confundindo com a voz de estranhos, a voz do mundo, e nos perdemos do rebanho e do Nosso Senhor?

Mais que ovelhas, nós somos amigos de Jesus (Jo 15,15). Nós somos chamados por Ele (Jo 15, 16). Somos chamados a dar frutos e a segui-lo de perto, mais que segui-lo, a caminhar com Ele, como dois amigos que caminham juntos e conversam e se sentem bem um ao lado do outro em companhia agradável.

Vejamos bem, Jesus quando caminhava por aqui curando doentes, realizando milagres, anunciando a Boa Nova, Ele arrastava multidões. A multidão o seguia em busca de curas e milagres e depois que recebiam o que queriam, iam embora (Mt 4, 23-25). Jesus mesmo não confiava nesse povo (Jo 2, 23-25). Jesus também tinha pessoas mais próximas, como os discípulos e apóstolos.

Em nosso dia a dia onde temos nos enquadrado? Temos sido essa multidão ou temos buscado nos aprofundar no relacionamento com Cristo? Reflitamos, pois, somos chamados por Jesus para sermos seus discípulos, seus amigos (Mt 4, 18-22).

 

Perdão, testemunho de fé

25/03/2015 Escrito por felipe

Uma das tarefas mais difíceis do cristão é viver o perdão, a palavra de Deus nos exorta a perdoar sem limites, como Jesus nos diz em um famoso versículo em que diz a Pedro que devemos perdoar até setenta vezes sete (Mt 18,22). A parábola contada por Jesus após dizer isso a Pedro nos faz refletir bastante sobre a postura que a maioria de nós cristãos temos com relação ao perdão e a vivência da fé:

“Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos. Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida. Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo! Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida. Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves! O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei! Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida. Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti? E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração” (Mt 18,23-30; 32-35).

Como é comum irmos a Igreja e participarmos da santa Missa, ou celebrar o sacramento da reconciliação, ou participar de encontros, retiros, aprofundamento ou acampamentos de oração e reconhecer nossas fraquezas, suplicar o perdão de Deus e sairmos nos sentindo justificados por Deus, cheios de sua misericórdia, agraciados por Deus e ao regressarmos às nossas rotinas temos a mesma postura do servo citado na parábola acima, não utilizamos da mesma misericórdia que Deus utilizou conosco para com nossos próximos.

Cada vez mais nós cristãos vivemos uma realidade dentro da Igreja e outra totalmente diferente no dia a dia, em nossas atividades cotidianas. Precisamos criar consciência de que apesar de realmente serem realidades diferentes (física e metafísica) o cristão deve caminhar neste mundo vivendo as realidades celestes, o cristão precisa dar testemunho da fé que conheceu graças a bondade de Deus. Neste testemunho inclui o buscar o perdão de Deus, mas também o perdão ao próximo, assim como Cristo nos ensinou e rezamos cotidianamente na oração do Pai Nosso.

O perdão é apenas um dos testemunhos que o cristão necessita dar ao mundo, fora do templo igreja, é preciso ter consciência de que o cristão é igreja, ele é um membro deste Corpo Místico de Cristo, e sendo assim deve dar testemunho da fé que a Igreja acredita e proclama, ou seja, dos princípios evangélicos e da moral cristã. A fé cristã é baseada no relacionamento entre Deus e o homem, um Deus que ouve nossas preces e as atende de acordo com a vontade Dele, mas sobretudo um Deus que fala àquele que crê, um Deus que revela sua vontade, seja pela sagrada escritura, pelo padre, seja por moções espirituais, seja através de outras pessoas. Mas como se dizer cristão e agir de forma contrária a vontade daquele que se diz crer?

Deus nos perdoa sim, se Ele espera que nós, que somos fracos, perdoemos infinitamente o próximo, imagine o quanto Ele que é perfeito nos perdoa, mas enquanto nós não mudarmos de vida e aprender a perdoar e dar testemunho da fé, estaremos sujeitos a receber de Deus o tratamento que o servo da parábola recebeu de seu senhor por gozar de sua misericórdia, mas não transmitirmos esta misericórdia aos próximos.

Referencias: Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria;

Por que fraquejamos na Fé?

18/12/2014 Escrito por frederico

Já falamos neste blog sobre como crescer espiritualmente (apenas uma das formas é claro), também falamos sobre escolher a melhor parte e estar com Cristo, mas ainda assim muitos de nós fraquejamos na Fé, mesmo depois de anos de caminhada, ou muitos outros não chegam nem a encontrar a fé,  simplesmente não sentem o desejo de Deus, ou param de ter a vontade de rezar, de participar da missa e dos sacramentos, de ler a Bíblia e tantas outras coisas que por muitos anos podemos ter feito com naturalidade,  amor e alegria.

Fraqueza_na_fe

Isso acontece com muitas pessoas que caminham na fé, como falamos quando citamos o Deserto Espiritual que muitos atravessam. O mal sempre tenta nos tirar do caminho, e se não formos atentos (Mt 26,41), podemos perder esse caminho sem nem mesmo perceber. A tentação sempre existirá, nosso dever como Cristãos é vigiar, como pediu Jesus (Mt 26, 41). Vigiar significa que devemos perceber quando estamos perdendo nossas forças, e agir contra isso, por vontade própria, buscando, mesmo sem desejo, o alimento e o remédio espiritual, ou seja, os sacramentos e a oração.

Os santos, que passaram pelos mesmos desafios que nós, nos dão dicas preciosas que nos mostram como nos manter firmes na fé. Santo Agostinho, por exemplo, em seu livro Confissões, nos conta os desafios que ele passou para se converter, crescer na fé e se manter fiel. É interessante ver que ele não ficou esperando ter a vontade de rezar, ou esperando Deus descer dos céus para convertê-lo, como muitos de nós fazemos, ou ainda dependendo de um irmão (ou padre) especifico, que talvez tenha sido o nosso caminho para conhecer a Deus, e que agora não tem mais tempo para nos ensinar.

Santo Agostinho, por volta dos 30 anos, tinha uma vida atarefada, dando aulas, conversando com amigos e pensando em qual profissão seguiria, que o daria sustento e prestigio, e mal sobrava tempo para as coisas espirituais. Ele se preocupava com isso, e buscava de onde tirar tempo: “… tenho que achar tempo, tenho que repartir as horas, para ocupar-me com a salvação da minha alma. ” (Confissões p. 158 Livro VI). Quantos de nós nos preocupamos dessa forma? Nos preocupamos com o bem estar da nossa vida material, mas quantos de nós percebem o tempo passando e a saúde da nossa alma se deteriorando?

O ser humano é formado de corpo e alma, devemos cuidar inteiramente dos dois, se ficamos doentes fisicamente, logo procuramos um médico, quando ficamos doentes espiritualmente, porque não vamos também em busca da cura? Devemos vigiar, de forma ativa, e não apenas fazer as coisas por emoção, sentimento, prazer, mas porque nos dá a saúde que precisamos, tanto física como espiritualmente.

Jesus nos fala que Ele é o caminho[FBE1] , e de fato Ele é o caminho que nos leva à Salvação, quando estamos sobre esse caminho, nossa vida espiritual é consistente, conseguimos rezar, praticar nossos exercícios espirituais, se estamos próximos, tudo fica mais fácil, porém, nos dias de hoje, é muito fácil nos afastar desse caminho, que é o próprio Senhor e, consequentemente, tudo se torna mais difícil. Santo Agostinho dizia que o homem que se afasta de Deus, não O consegue ver e diz que devemos voltar, por decisão, ao caminho, não esperar que o caminho volte até nós: “Quem se encontra muito afastado (de Deus), e por isso não consegue ver-Te, coloque–se no caminho que leva a Ti, para que te possa ver e possuir. Porque se o homem se compraz na lei de Deus segundo o homem interior (Rm 7,22), que fará ele da outra lei que em seus membros luta contra a lei da sua razão e que o acorrenta à lei do pecado, lei está que existe em seus membros? (Rm 7,23)“ (Confissões p 197 -  Livro VII)

E quantos de nós, que depois que iniciamos outras atividades, não temos tempo para o Senhor, e admiramos aqueles que conseguem se manter fiéis, mesmo tão atarefados, e esperamos que um dia chegue o momento onde nós também teremos tempos para voltar para o Senhor. Engana-se quem pensa que esse dia chegará, o que devemos fazer é decidir parar agora, hoje, e rever o nosso tempo para Deus, para não ficarmos cada vez mais fracos.

Santo Agostinho também se auto-criticava nessa postura de espera e sabia que enquanto esperava, perdia a oportunidade de ser verdadeiramente feliz: “Enquanto assim pensava (que deveria esperar), e os ventos contrários se aproximavam e me impeliam o coração de um lado para outro, o tempo passava, e eu tardava em converter-me ao Senhor. Adiava de dia para dia a decisão de viver em ti, e não adiava um só dia a morte cotidiana em mim mesmo. Queria viver feliz e temia procurar a felicidade onde ela está. Fugia dela, e ao mesmo tempo a procurava. ” (Confissões p 159 Livro VI).

É o que muito de nós fazemos, buscando uma vida intensa, mas não percebemos que estamos morrendo cotidianamente, nos afastando do Caminho, da Verdade e da Vida (Jo 14, 6), simplesmente porque não vigiamos, ou porque esperamos o Céu se abrir para nos salvar, em vez de nos convertermos.

Quanto mais próximo estamos do Senhor, mais o vemos e possuímos, e conseguimos rezar e viver espiritualmente, se não estamos vendo o Senhor em nosso dia a dia, é porque estamos nos afastando do Caminho, e devemos voltar, o quanto antes. Nós fraquejamos porque paramos os exercícios e porque não nos alimentamos direito, isso acontece tanto na vida física como na vida espiritual, portanto, vigiemos, e permanecemos ativos no caminho, para que não fraquejemos na fé.


[FBE1]Sugestão do Leandro

 

É possível alcançar a luz?

02/12/2014 Escrito por felipe

A vida de fé é uma grande caminhada em meio a luz e trevas, e quais caminhos temos trilhado, rumo a qual destino temos nos dirigido?

Para iniciar esta reflexão gostaria de expor três versículos dos escritos de São João, um de seu Evangelho, outro de sua primeira carta e por ultimo do livro do Apocalipse: “Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (JO 8,12); “A nova que dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há treva alguma.” (I JO 1,5); e “Eu sou o Alfa e o Omega diz o Senhor Deus” (AP 1,8a).

Nós nascemos da Luz, pois nós nascemos de Deus, Ele é o Alfa, o principio, é Ele quem dá a vida e como João nos diz: “Deus é luz”. Mas, como nosso mundo está cheio de trevas, Jesus Cristo nos convida a caminhar na luz, nos convida a caminhar com Ele, porque Ele é a luz do mundo, Nele não há trevas, não há escuridão. Ao caminhar na luz, também nós nos tornamos focos de luz no mundo, não uma luz própria, mas sim refletimos a Luz do Cristo que nos ilumina (assim como a Lua, que não possui luz própria, apenas reflete a luz que recebe do Sol) nos tornamos responsáveis para que outras pessoas também possam enxergar a Luz que é o próprio Cristo. Devemos sempre caminhar em direção a Cristo, pois Ele não é só o principio e o caminho de luz que percorreremos, Ele também é nossa meta, nosso ponto de chegada, o Omega.

Ou seja, a luz (Deus) é a nossa origem, nossa caminhada e nossa meta e aí está o desafio de nossa fé: Como ser este foco de luz no mundo? Como alcançar a Cristo? Como viver esta experiência? O Catecismo da Igreja Católica em seu parágrafo 2015 nos dá a resposta:

“O caminho desta perfeição passa pela cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças.”

Para facilitar o entendimento busquei no dicionário o significado de duas palavras que são importantes na resposta que o Catecismo nos dá: 1ª palavra – ascese vem de asceticismo que é uma “moral fundada no desprezo do corpo e das sensações física [...] vida de austeridade e penitência”; 2ª palavra – mortificação que pode significar “afligir, macerar (o corpo) com penitências e jejuns” e “apagar-se”.

Nosso caminho para alcançar a Luz passa necessariamente pela Cruz, pela dor, pelo sofrimento, como já ouvimos tanto, não há salvação sem Cruz. A Cruz é nosso combate espiritual, é sabermos enfrentar as adversidades da vida e conseguirmos encontrar paz e alegria em meio a tantos tormentos, é sabermos amar, sabermos ser mansos, misericordiosos, desprendidos, mesmo quando tudo parece nos indicar o contrário.

Para alcançarmos a luz, teremos muitas vezes que renunciar a nossa vontade, a nossos desejos e sentimentos, mesmo quando estes parecem fazer parte de nossa natureza. Nos momentos que somos afligidos por sentimentos ruins, ou desejos e sensações opostas à vontade de Deus é que devemos viver a ascese e a mortificação, rezar, fazer jejum e penitencias para que seja feita a vontade de Deus e não a nossa.

Parece algo complexo e distante, mas não, tudo isso ocorre em nosso dia a dia, quantas vezes desprezamos nosso próximo, seja ele um familiar, um conhecido, seja outro qualquer? Nossa cruz está no controlar nossa língua quando ela quer falar mal, xingar, falar palavrões, nossa cruz está em não desejar o mal a quem nos fez o mal, ao contrário perdoar, rezar por esta pessoa. Nossa cruz está em ao ser assaltado rezar pelo assaltante, quando nosso desejo na verdade seria fazer justiça com as próprias mãos, isso também se aplica a males maiores como estupro ou assassinato.

Como é difícil!!! Tenho certeza que para Cristo também não foi fácil, mas Ele aceitou a Cruz por amor a nós, por misericórdia para que nós tivéssemos acesso as graças de Deus. Também nós devemos carregar nossa Cruz por amor a Ele, por gratidão, com alegria e na certeza de que Ele está conosco, e ao vencermos as trevas deste mundo viveremos para sempre na luz, na eterna alegria na eterna paz e enquanto estivermos nesta vida seremos também luz para este mundo.

Referencias: Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria; CIC – Catecismo da Igreja Católica, e Dicionário Brasileiro Globo.

Nota: Texto base para reflexão realizada pelo autor no Grupo de Oração Renascer do Espírito, na Paróquia São Judas Tadeu, Diocese de Santo André no dia 14/10/2014.

 

Em Cristo, repouso para a alma

21/11/2014 Escrito por felipe

Em nossa caminhada de fé, experimentamos momentos de profunda experiência com Deus, seja em retiros espirituais, seminários de vida, novenas entre outros momentos que a religião nos proporciona. São momentos em que se louva a Deus, renovamos nossa fé, encontramos repouso para a alma, adquirimos novo vigor, nova força, podemos dizer que realmente o Senhor está no meio de nós, a paz e alegria não cabem em nossos corações.

Porém, estes momentos acabam! Como seria bom se não acabassem… Mas, infelizmente é a realidade, temos que viver também a realidade desta vida. E como é comum ao retornarmos destes momentos de profunda experiência de Deus a vida querer nos derrubar! Parece que tudo resolve acontecer ao mesmo tempo problemas de saúde na família, problemas de relacionamento, problemas profissionais, problemas financeiros, os dias nos deixam exaustos e todo aquele animo novo, aquele vigor novo, parece querer ir embora, toda a serenidade de dias atrás já não conseguimos experimentar hoje.

O que fazer se a aflição quer tomar conta de nossos corações? Ao primeiro descuido o inimigo quer nos tirar do caminho que começamos (ou voltamos) a trilhar, ele se utiliza do nosso cansaço, se utiliza de fofocas, de dificuldades da vida para nos tirar do caminho de Deus, o inimigo quer nos ver mergulhados em nossas próprias aflições, em nossas preocupações e longe da paz que o Cristo veio nos trazer e que experimentamos profundamente.

É preciso que nós, todos os dias, nos alimentemos das coisas de Deus, busquemos as coisas de Deus e assim encontraremos força, alegria e paz, para enfrentarmos todas as adversidades de nossa vida. Nada nesta vida substitui o valor de uma missa, mas como a maioria de nós não consegue participar diariamente da Santa Missa, seja pela vida profissional, seja por não haver missa todo dia em nossa paróquia ou por qualquer outro compromisso, sendo assim podemos (ou devemos) buscar as forças de Deus de outras formas seja através da oração diária, da leitura e meditação da Palavra de Deus, de uma leitura espiritual, do louvor, da oração em família, da caridade ou do sacramento da confissão.

Jesus no Evangelho de Mateus nos diz: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.” (Mt 11,28-29). Cristo todos os dias nos convida a ir até Ele com todo o nosso fardo, com o peso de nossas cruzes diárias a fim de que encontremos Nele o repouso para nossa alma. Jesus não quer tirar o peso de nossa Cruz, mas sim o peso de nossa alma. Curando nossos corações, Ele renova nossas forças para continuarmos nossa caminhada, para enfrentarmos as adversidades de nosso dia a dia com serenidade e alegria.

Deixando-nos curar por Deus apesar de todos os problemas podermos dizer como Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?[...] Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor de Deus” (Rom 8,35;38-39). Nada nem ninguém pode nos separar do amor de Deus a não ser nós mesmos, se não aceitarmos o convite de Cristo!

Corramos diariamente a este Deus que nos espera, comamos e bebamos das Graças que Ele tem para nós, deixemos que Ele alivie nossas angústias, nossas aflições, busquemos força, busquemos fé e esperança a cada dia para vivermos hoje e sempre a alegria de sermos filhos amados de Deus.

Referencias: Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria;

Nota: Texto base para reflexão realizada pelo autor no Grupo de Oração Renascer do Espírito, na Paróquia São Judas Tadeu, Diocese de Santo André no dia 11/11/2014.

Nosso coração: de espinhos à terra boa

27/09/2014 Escrito por felipe

Nosso coração é o solo onde é lançada a semente do Evangelho, mas que tipo de solo temos sido? Nesta reflexão meditemos a parábola do semeador:

“Ouvi: Saiu o semeador a semear. Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra parte caiu no pedregulho, onde não havia muita terra; o grão germinou logo, porque a terra não era profunda mas, assim que o sol despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão não deu fruto. Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se; um grão rendeu trinta, outro sessenta e outro cem. E dizia: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Mar 4,3-9)

Quantas vezes nós já escutamos ou lemos este trecho do evangelho? Como escrevi no inicio, o solo onde a semente do Evangelho é lançada é nosso coração, e que tipo solo tem sido o nosso coração? Tenho certeza que não somos o solo a beira do caminho, pois creio que a semente ainda está no coração de cada um de nós, o inimigo ainda não a arrancou de nós, como diz a parábola. Tenho certeza que também não somos o terreno pedregoso, pois a semente ainda não secou e está viva, ainda que muitas vezes escondida em nossos corações.

Acredito que em nossos corações exista muita terra boa, onde a semente do Evangelho pode germinar e crescer, mas também está repleto de espinhos que muitas vezes sufocam a palavra de Deus, não permitem que os frutos da presença viva de Deus em nossas vidas sejam manifestados, sejam vistos por aqueles que estão ao nosso redor e muitas vezes por nós mesmos. Ser cristão é ser testemunha de Cristo, de suas graças, do encontro que vivemos com Ele, e como ser testemunha de algo que não conseguimos enxergar em nós mesmos? O convite desta reflexão é pedir para que Deus nos liberte de todo espinho existente em nossos corações.

Mas, o que são estes espinhos que impedem que a graça de Deus se manifeste em nós? Estes espinhos são nossos pecados, nossas misérias, nossa autossuficiência, nossa prepotência diante de tudo que a vida vem nos oferecer. A todo instante é necessário fazer uma escolha, fazer a nossa vontade, a vontade do mundo ou a vontade de Deus?

Quantas vezes deixamos de abrir mão de nossas vontades, de nossos confortos, nossos luxos para estarmos a serviço de Deus? Quantas vezes nós queremos o paraíso sem passar pela cruz? Queremos que seja do nosso jeito e não do jeito de Deus, quantas vezes reconhecemos que trazemos um pecado conosco (um pecado de estimação), e não queremos nos libertar dele? Nos julgamos felizes, dizemos que Deus nos perdoa. Deus é misericordioso sim, mas não é justo que abusemos de Sua misericórdia, eis o que Ele vem nos dizer: “Não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele terá piedade da multidão dos meus pecados, pois piedade e cólera são nele igualmente rápidas, e o seu furor visa aos pecadores. Não demores em te converteres ao Senhor, não adies de dia em dia, pois sua cólera virá de repente, e ele te perderá no dia do castigo”.(Eclo 5,6-9).

Este nosso pecado de estimação é o espinho que impede a semente de Deus de frutificar, o não querer abrir mão das nossas vontades para estar disponível para o serviço do Reino de Deus, a falta de caridade, de amor ao próximo, de amor para comigo, para com os dons que Deus me dá, tudo isso são espinhos que cobrem a terra boa que existe em nossos corações. Deus nos diz: “não demores a te converteres”, até quando ficaremos esperando para nos converter? Até quando deixaremos que os espinhos sufoquem a graça de Deus? Até quando deixaremos que estes espinhos impeçam que a graça de Deus se manifeste em nossas vidas?

Arranquemos de nossos corações estes espinhos, é certo que a caminhada é longa e não arrancaremos tudo de uma vez, mas peçamos diariamente a Deus que Ele nos ajude a deixar livre a terra boa de nossos corações, nem que seja uma pequena parte, onde Ele fará manifestar seu amor, onde enxergaremos a ação de Deus.

“Concentra teu pensamento nos preceitos de Deus, sê assíduo à meditação de seus mandamentos. Ele próprio te dará um coração, e ser-te-á concedida a sabedoria que desejas.” (Eclo 6, 37)

Referencias: Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria;

Nota: Texto base para reflexão realizada pelo autor no Grupo de Oração Renascer do Espírito, na Paróquia São Judas Tadeu, Diocese de Santo André no dia 16/09/2014

A rocha de nossa salvação

20/08/2014 Escrito por felipe

Hoje vamos refletir mais um pouco sobre o papel de Deus em nossas vidas, Ele é a rocha de nossa salvação, mas onde e em quem temos depositado nossa confiança, nossas esperanças? Já falamos tanto sobre as dificuldades de nosso tempo, mas como nós estamos encarando o mundo e este momento, como temos vivido?

Vamos refletir a passagem do segundo livro de Samuel (22,2-4;7): “O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador, meu Deus é a minha rocha onde encontro o meu refúgio, meu escudo e força de minha salvação, minha cidadela e meu refúgio. Meu salvador, que me salvais da violência. Invoco o Senhor digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos. Na minha angústia, invoquei ao Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos”

Esta passagem me faz lembrar a Celebração do Matrimônio, o Evangelho predileto para ocasião é a conclusão de um discurso de Jesus, onde Ele diz que quem ouve as palavras de Deus e as põe em prática é semelhante ao homem que edificou a casa sobre a rocha e a casa é firme, não se abalada com as dificuldades do dia a dia ao contrário da casa construída sobre a areia que ao chegar momentos de dificuldades caem em ruínas (Mt. 7,24 ss).

A passagem de Samuel nos mostra que Deus é o nosso rochedo, é Ele o alicerce, a base de nossas vidas, mas nos faz enxergar um pouco mais, o que adiantaria eu construir uma casa com alicerces profundos em rocha firme, mas com paredes e estruturas frágeis de madeira e palha? Deus não é apenas a rocha sob nossos pés, ele é também a parede que nos protege, Ele é toda a casa, toda a cidade onde devemos habitar. É Nele que encontramos refúgio, segurança, proteção, salvação, paz e liberdade.

Hoje (eu digo hoje, mas acredito que sempre foi assim, em toda a história da salvação) o mundo vem nos mostrando diversas falsas alegrias, falsa liberdade, falsos prazeres: através do consumismo, da liberdade sexual ou da sexualidade desregrada, às vezes através da própria vida profissional e financeira onde quanto mais eu cresço, mais eu sou feliz, quanto mais eu posso dar para minha família mais somos felizes, quanto mais eu tenho mais eu sou feliz. Muitas vezes o mundo nos faz acreditar que tudo ou todos podem ser comprados: compensamos nossa ausência através de presentes ou mimos quando na verdade aquele que nos ama apenas quer um presente: a nossa atenção, a nossa companhia, a nossa ajuda.

A sociedade em que vivemos a todo instante nos faz pensar assim, sobretudo através da mídia, onde reproduzem estas falsas alegrias, estas falsas felicidades. Acabamos nos tornando escravos das vontades deste mundo e o resultado é cada dia mais famílias dissolvidas, pessoas depressivas, até mesmo crianças com depressão e estressadas quando deveriam apenas se divertir e estudar, pessoas que vivem angustiadas, muitas vezes cheias de preocupações exageradas, pessoas entregues ao vicio, pessoas que acreditam que encontrarão felicidade na agitação das noites, mas vivem infelizes.

Precisamos voltar nosso olhar ao Senhor que é a rocha da nossa salvação, Ele quer nos salvar, quer nos libertar desta grande prisão espiritual que o mundo nos oferece (pois é isso que o mundo quer: nos privar das coisas celestes, o mundo se esforça para que cada vez mais Deus seja deixado de escanteio). Deus quer nos tirar desta vida, cada vez mais sem sentido, para que possamos viver uma vida plena, livres, onde possamos ser nós mesmos e não aquilo que a sociedade quer que sejamos. Deus quer nos proteger de todo ataque inimigo.

Deus é a nossa força nesta grande batalha, basta que o invoquemos de coração, basta que nos deixemos ser protegidos por Ele, basta dizermos “sim” e com certeza Deus nos ouvirá e nos libertará. Quando a angustia tomar conta de nossa alma, quando acreditarmos que não suportamos mais, tenhamos coragem de gritar a Deus para que Ele nos livre de todo o mal: dos vícios, da falta de perdão, ódio, falta de amor, de felicidade, falta de paz. Escolhamos ter o Senhor como nossa Rocha de salvação, de esperança e libertação, deixemos o Senhor ser nossa morada.

Nota: Texto base para reflexão realizada pelo autor no Grupo de Oração Renascer do Espírito, na Paróquia São Judas Tadeu, Diocese de Santo André no dia 12/08/2014

Referencias: Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria;

 

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